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Interessante como referência é tudo nessa vida. Quando a gente começa a cozinhar em casa, é natural que acabe copiando o estilo e o tempero de quem te ensinou, na maior parte das vezes a mãe, amigos, etc. Mas e quando você quer se aventurar por algo novo, uma receita diferente, que você só ouviu falar e não se encaixa nas suas referências? Aí que a porca torce o rabo. Já falamos muitas vezes do pato aqui, é um cara interessante, gosto do preparo e a gordura dele você usa pra fazer batatinhas... mas eu nunca tinha ido a um restaurante comero o danado, especificamente o magret, que não é todo lugar que tem. Isso até dezembro.
Pois em dezembro, numa noite de domingão, em São Paulo passando as festas com a família, resolvemos eu, minha mulher e meus cunhados, ir a um restaurante bacanudo, deixar algumas pratas, afinal o ano tinha sido complicado e merecíamos. Na hora me lembrei do restaurante mais comentado em todos os blogs amigos aí do lado: o Marcel. Reserva feita, rapidinho corremos pra lá. Estava sussa, o serviço é incrível e o rango, definitivo. Foi o melhor restaurante que eu fui na vida, e não vou puxar muito o saco do Despirite (o chef de lá) até porque todo mundo sabe como é bom o Marcel, mesmo. Vou falar da minha experiência e cópia posterior.
Como meu objetivo era originalmente ver se os magrets que eu fazia estavam corretos, já fui logo pedindo o danado, com purê de mandioquinha (aqui em Floripa chamam de batata baroa, nome esquisito, mas mandioquinha também é feio pra cacete). Atendeu perfeitamente a expectativa: era obviamente melhor que o meu, mas o meu estava dentro. Coisa linda. Pedi também o steak tartare de entrada, pois nunca tinha comido esse troço e estava curiosíssimo. De chorar de tão bom, nunca imaginei que o negócio poderia ser assim. E não dá pra copiar uma coisa que você nunca comeu, nem imagina que gosto tem.
De volta a Floripa, lá fui eu pra cozinha: o magret está aí em cima - acrescentei umas coisinhas e passei um pouco menos na chapa (gosto da carne mais pro cru do que me foi servido no Marcel) e meus convivas caíram matando. O steak tartare está aqui:
Acrescentei os champignons de Paris frescos e salteados na manteiga pra dar um toquezinho, mas acabou ficando pesado pacas pra uma entrada, ainda mais comendo o danado com pãezinhos italianos quentinhos. Esse eu acho que ficou mais próximo do que comi no Marcel, o difícil é picar essa carne toda na faca (e se certificar que não ficou nenhuma pelanquinha, um verdadeiro pesadelo para quem está comendo carne crua). Um trabalhão danado, mas valeu a pena. Afinal, referência é tudo!
17/02/2011
Referência é tudo
Interessante como referência é tudo nessa vida. Quando a gente começa a cozinhar em casa, é natural que acabe copiando o estilo e o tempero de quem te ensinou, na maior parte das vezes a mãe, amigos, etc. Mas e quando você quer se aventurar por algo novo, uma receita diferente, que você só ouviu falar e não se encaixa nas suas referências? Aí que a porca torce o rabo. Já falamos muitas vezes do pato aqui, é um cara interessante, gosto do preparo e a gordura dele você usa pra fazer batatinhas... mas eu nunca tinha ido a um restaurante comero o danado, especificamente o magret, que não é todo lugar que tem. Isso até dezembro.
Pois em dezembro, numa noite de domingão, em São Paulo passando as festas com a família, resolvemos eu, minha mulher e meus cunhados, ir a um restaurante bacanudo, deixar algumas pratas, afinal o ano tinha sido complicado e merecíamos. Na hora me lembrei do restaurante mais comentado em todos os blogs amigos aí do lado: o Marcel. Reserva feita, rapidinho corremos pra lá. Estava sussa, o serviço é incrível e o rango, definitivo. Foi o melhor restaurante que eu fui na vida, e não vou puxar muito o saco do Despirite (o chef de lá) até porque todo mundo sabe como é bom o Marcel, mesmo. Vou falar da minha experiência e cópia posterior.
Como meu objetivo era originalmente ver se os magrets que eu fazia estavam corretos, já fui logo pedindo o danado, com purê de mandioquinha (aqui em Floripa chamam de batata baroa, nome esquisito, mas mandioquinha também é feio pra cacete). Atendeu perfeitamente a expectativa: era obviamente melhor que o meu, mas o meu estava dentro. Coisa linda. Pedi também o steak tartare de entrada, pois nunca tinha comido esse troço e estava curiosíssimo. De chorar de tão bom, nunca imaginei que o negócio poderia ser assim. E não dá pra copiar uma coisa que você nunca comeu, nem imagina que gosto tem.
De volta a Floripa, lá fui eu pra cozinha: o magret está aí em cima - acrescentei umas coisinhas e passei um pouco menos na chapa (gosto da carne mais pro cru do que me foi servido no Marcel) e meus convivas caíram matando. O steak tartare está aqui:
Acrescentei os champignons de Paris frescos e salteados na manteiga pra dar um toquezinho, mas acabou ficando pesado pacas pra uma entrada, ainda mais comendo o danado com pãezinhos italianos quentinhos. Esse eu acho que ficou mais próximo do que comi no Marcel, o difícil é picar essa carne toda na faca (e se certificar que não ficou nenhuma pelanquinha, um verdadeiro pesadelo para quem está comendo carne crua). Um trabalhão danado, mas valeu a pena. Afinal, referência é tudo!
Ideias no Fogão
Cozinhar em casa, usando o que se tem à disposição e sabendo o que fazer com cada ingrediente é um prazer, um descanso das correrias da vida moderna. Comida de terroir, orgânicos, receitas consagradas, temperos e técnicas, sobre tudo isso e mais a gente conversa por aqui, com muito bom humor!
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1 comentários:
Tudo 100%, comprovo porque apreciei esta delícia. Mano Klaus, pra variar mandando fogo na bomba.
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