Como pouca gente sabe, os nativos da grande Florianópolis (Floripa, Palhoça, São José e adjacentes) se auto-intitulam manezinhos. Parece estranho pra nós, a italianada de São Paulo, ou pros amigos Fluminenses, que alguém se chame de mané com orgulho, mas é assim que a coisa funciona por aqui. É que na verdade aqui rolou uma colonização açoriana muito louca, incompreensível e cheia de telecoteco e balacobaco. É essa colonização que criou uma população com um inacreditável sotaque português no meio de um estado historicamente alemão. E dá-lhe peixe!
Aqui se come peixe (e todos os frutos do mar) com uma voracidade incrível. Mané que é mané come peixe pelo menos 3 vezes por semana, e a carne de boi (aqui se chama carne de gado) é uma herança gaúcha recente. Os nativos consomem vorazmente todos os tipos de peixe (a tainha é um caso à parte), camarões, berbigões (vôngoles, para nós, bárbaros), vieiras (coquille sant jacques), mexilhões e, é claro, as danadas das ostras. Há alguns anos, parece que deu uma baixa nas pescas e alguém chegou com umas maneiras muito loucas de se criar ostras em cativeiro. O povo adorou a idéia e hoje a região produz ostra pra chuchu, fato que explica as bichinhas custarem 4 pratas a dúzia aqui. Ostras são moluscos bivalves (duas conchas) feias pra cacete, mas que, se bem fresquinhas (se comidas in natura têm de estar vivas) tem um vago gosto de mar e um monte de magnésio, que garantem a esperteza da criançada e níveis de animação acima da média, posto que são afrodisíacas.
A abundância de matéria-prima protéica fez com que, de uma maneira geral, a gastronomia típica seja muito pouco temperada, no máximo um alho, uma cebolinha e olhe lá. Comem-se muitos moluscos ao bafo, na própria água. É meio sem-graça, claro, mas é cultural. A maior parte dos restaurantes trata a comida como uma necessidade, não como um ingrediente, então dá-lhe: "fresco". Fresco e sem gosto para quem não está acostumado. Há lugares que se superam. Esses dias, devoramos diversos frutos do mar em uma marisqueria portuguesa, aqui, em Santo Antônio de Lisboa, que estavam semi-divinos. A insistência em usar o alecrim seco, ao invés do fresco, em deliciosos mexilhões na manteiga chegou a empanar a experiência, mas nada que não fosse superado pelos impressionantes camarões ao azeite e alho com ervas que vieram a seguir. Uma facada, claro, comer bem aqui é sinônimo de falência, mas nada que não se supere.
De uma maneira geral o atendimento nos restaurantes é horrível. Se vier no seu prato uma ostra podre, você pagará por ela da mesma forma, mas muitas vezes temos surpresas absurdas em carinho e qualidade. O bar Açores, aqui mesmo em Sto Antônio, é impressionante - só faltam te pegar no colo. Pelo outro lado, não vá ao Bate Ponto, lugar onde fui pior atendido nesses meus quase 33 anos de vida.
Na média, experimente. Peça recomendações de um nativo. Há inúmeras opções sensacionais e, além disso, há muita experimentação local com os ótimos ingredientes da região.
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14/05/2009
A incrível gastronomia Manezinha
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Ideias no Fogão
Cozinhar em casa, usando o que se tem à disposição e sabendo o que fazer com cada ingrediente é um prazer, um descanso das correrias da vida moderna. Comida de terroir, orgânicos, receitas consagradas, temperos e técnicas, sobre tudo isso e mais a gente conversa por aqui, com muito bom humor!
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3 comentários:
Nossa!
Aprendi várias coisas nesse post.
Muito interessante MESMO...
Bom, eu não sou muito fã de ostras e afins, mas é sempre bom ler e saber um pouco mais sobre a gastronomia daí.
Genial!
Eu como uma autêntica manezinha da Ilha, te digo que se quex comer ostra, ô seu amarelo, vai-te lá pras bandas do Ribeirão. Lá tem ostra a dar com o pau. Mofas com a pomba na balaia. Fui!
ólhó lhó lhó, não te digo não, o paulista tá falando mal da minha terrinha... rs rs, é verdade Klaus, dependendo do lugar o atendimento não é bom mesmo, mas isso não é apenas em Floripa viu ? Já fui mal atendida em SP, RS, ES e por aí a fora... beijão.
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